19 de outubro de 2008

Impossível passar em branco. O acontecimento da semana no Brasil, capaz até de tirar dos noticiários informações sobre a crise de falência do modelo capitalista, sem dúvida, foi o seqüestro domiciliar de duas jovens por parte de um rapaz que supostamente havia sido negado amorosamente por uma das jovens. Ao contrário da grande mídia, pretendo analisar aqui o comportamento do jovem Lindemberg, mesmo aceitando que ocorreram erros de ação das forças do Estado responsáveis pela preservação da vida dos reféns.
O jovem Lindemberg se constituiu, no meu ponto de vista, como um niilista. Como o próprio negociador disse, sua lingugem era de um "suicida", o que poderia acabar transformando a negociação policial em uma atividade vazia, sem sentido. Essa opção auto e extra destrutiva que se originou talvez em outras causas mais gerais, da própria vida desse indivíduo e de um contexto social excludente, não justifica a ação que ele empreendeu, porém pode explicá-la.
Hannah Arendt, a grande filósofa que desvendou a lógica perversa da banalização do mal presente nos regimes totalitários europeus adverte que: "A solidariedade e dignidade humanas são valores morais ainda capazes de impedir o triunfo do niilismo". A solidariedade e a dignidade, a meu ver, se constróem com diálogo entre as pessoas, principalmente em situações conflituosas, mas o rapaz demostrou ser incapaz de tentar uma conversa que pudesse resolver o rompimento do relacionamento. Outro filósofo, esse mais radical, Jean Paul Sartre diz que todos os nossos atos são de total responsabilidade do próprio indivíduo, e que qualquer ação é de consciência do próprio ser humano. Nessa visão Lindemberg sairia totalmente responsável por seu empreendimento, sendo justificada uma pena sobre seus atos. A partir dessas visões filosóficas não sobram espaço para críticas à polícia, mas sim ao jovem infrator que se constitui como uma ameaça a sociedade.
Infelizmente, o ato realizado pelo jovem acabou tragicamente para a garota, e que não me venham os Direitos Humanos defender o infrator, pois quem desumaniza outros não se configura mais como um humano. A visão não é repressiva, mas responsabilista no sentido de tentar impedir outros casos como esse que, de uma maneira ou de outra, comoveu o país.

2 comentários:

Tamirez Paim disse...

Boas referências Gabriel, bem lembrado! Sem noção esse "carinha" , um expurgo social! É por essas e por outras que temso que ter o sexto sentido da previsibilidade das situações, por exemplo, com quem andamo, quais são as suas procedências... e se existe mulher ciumenta? Credo! Um homeme ciumento é muito pior, veja o que podem fazer, não tirando o caráter assassino de ambos.
Bom, não me surpreendo em ver mais um, menos um morrer dessa forma! Muitas outras meninas , tanto aqui quanto em outros lugares, passam pelas mesmas situações e a mídia não divulga. Mesmo caracterizando uma coisa triste, eles mostrando tanto na mídia, pode incentivar alheios a cometerem na mesma proporção esses crimes contra a vida!
Que nenhum idiota resolva imitar um sequelado como este que assistimos pela televisão essa semana e que também foi assunto de muitas famílias de bem, imagine se não fossem de bem!!!!

Abração, Gabi!! BEijão!!!!!!!!!

Tati disse...

Gabrriel, muito bom teu post, queria lembrar tbm do comentário do Paulo Santano na Zero Hora e no Jornal do Almoço, sobre uma questão que vem já alguns anos, sendo abordada, é a PENA DE MORTE.
Por que não ter pena de morte para aqueles seres que não tem pena de matar?

bjo bjo saudades d t gurii